Chama-se Conceito de Arte, mas nasceu de uma discordância: a de um artista que não acredita que tudo tenha de começar por um conceito. Esta é a história de Nuno Duque e da casa que abriu em Chaves a 2 de Abril de 2005 — e que nunca fechou.
Nuno Duque tinha dez anos quando abriu uma caixa de tintas. Ao sentir o cheiro, teve uma espécie de déjà-vu, como se já conhecesse aquilo de outra vida. Aos onze anos começou a pintar. Foi o clique: «é isto que eu quero».
Anos mais tarde, quando lhe perguntaram o que o fez continuar, foi a essa caixa que voltou.
«Eu conheço isto. Este cheiro é peculiar, é o que eu gosto. Transmite-me vida, essência e energia.»
Os primeiros anos.
II
Disseram-lhe que primeiro vinha o conceito.
Estudou Pintura na ESAP, no Porto. De lá guardou o contacto com outros artistas, as aulas de figura humana, a troca de ideias com um amigo do desenho. E sentiu falta de outra coisa: de quem passasse o conhecimento técnico e acompanhasse cada aluno até ao melhor que podia dar.
Ouviu muitas vezes que, antes de criar, tinha de haver um conceito — como se o artista não pudesse criar sem preparar primeiro ou fazer um estudo. Nunca acreditou nisso por inteiro.
«A pessoa pode ter um sentimento no momento, e ele é transmitido sem estar a pensar no conceito em si.»
Foi daí que veio o nome. O sentimento pode abrir o caminho; o ofício dá-lhe forma.
III
A casa hoje, na Avenida General Ribeiro de Carvalho.
2 de Abril de 2005.
Acabado o curso, as vendas de obra corriam bem. Ainda assim, o Nuno voltou a Chaves: por razões de família e de afecto, e porque ali era possível o sonho que trazia há muito — um atelier e uma loja de belas-artes, no mesmo lugar. Queria fazer alguma coisa diferente pela sua cidade e pela arte.
A casa abriu a 2 de Abril de 2005, num espaço onde antes houvera uma loja de móveis. Numa das primeiras exposições, de uma colega da faculdade, a entrada e o terraço encheram-se de gente, à espera de que saíssem os que estavam lá dentro.
IV
Depois da novidade.
Ao fim de uns seis meses, a novidade passou e o movimento caiu. Foi preciso, por vezes, fazer outras coisas em paralelo para manter o espaço de pé.
A casa nunca fechou.
«Foi isto sempre que eu sonhei e batalhei, independentemente das dificuldades.»
V
No atelier.
Dois metros.
Quando lhe pedem a história de uma obra que correu mal, o Nuno fala de uma pintura figurativa. Estava há horas a acertar os tons, a trinta, quarenta centímetros da tela, e a certa altura achou que não havia solução e que a tinha estragado. Afastou-se um ou dois metros — e viu que estava no bom caminho, muito mais real do que pensava. «Não sei se era o cansaço», diz.
Quem está de fora imagina que o artista cria com facilidade. Não é assim: há o bloqueio do início, dias de frustração, estudos que não se mostram, horas sem resultado e vontade de desistir, ou até de destruir a obra e começar outra. Depois vem a noite, o descanso, o dia seguinte — e outro olhar. Quatro, cinco dias depois, com a obra quase no fim, o que lhe sai é isto:
«Ainda bem que não desisti, porque este resultado nunca esperei lá chegar.»
VI
Desenho com modelo ao vivo, no atelier.
Quando dizem que não conseguem.
No atelier, o Nuno já viu pessoas que quase só tinham usado um lápis para escrever o nome chegarem a desenhos de anatomia e de movimento. Gente de áreas que nada têm a ver com arte — da agricultura, por exemplo — com resultados que se comparam a um estudo de primeiro ano de faculdade. E há uma frase que os alunos já lhe conhecem:
«Quando eles dizem que não conseguem, eles sabem que eu digo: não.»
Diz que aprendeu muito mais como autodidata do que na faculdade, e talvez seja por isso que quer dar aos alunos tudo o que sabe, mesmo que um dia o superem. Quando lhe perguntam como gostava de ser lembrado pelos alunos, a resposta é simples: como alguém que deu o melhor que tinha, e que viveu as obras deles como se fossem as suas.
Hoje, o atelier tem aulas de desenho e pintura e sessões de desenho com modelo ao vivo.
Nasceu em Chaves em 1979 e formou-se em Pintura na ESAP, no Porto. A sua pintura é figurativa, feita sobretudo a óleo, e trabalha a figura humana. É o fundador da Conceito de Arte, o professor do atelier e quem aconselha quem entra na loja.
O momento de que mais gosta, diz, é aquele em que a obra ganha vida:
«Quando começo a ver vida na obra de arte, quando começo a ver que está muito real. (…) Está carnal, está real.»
Pintura figurativaÓleoDesenhoFigura humanaEnsino
Em imagens
O ofício de olhar.
Pintura mural numa capelaNum museuPintura ao vivo
Nuno Duque diante de O Mentor.
A obra
A obra de Nuno Duque.
Quando lhe perguntam que obra melhor o representa, a resposta é O Mentor. No quadro há um pintor ao cavalete e, atrás dele, uma figura vestida de branco, com as mãos junto à cabeça dele.
O Nuno conta que havia dias em que tudo lhe saía bem e outros em que as mesmas coisas não saíam nada de especial, e que achou que devia haver uma presença a acompanhá-lo — um mentor, um anjo da guarda, «chamo-lhe o que quiser». Quis retratá-la no quadro, de certa forma como agradecimento.
«Eu sempre acreditei que nunca pintei sozinho.»
Colecção permanente
As seis obras da colecção permanente. Vê cada pintura de perto e pede informação sobre disponibilidade, dimensões e preço.
Quem entra não encontra só caixas de tinta, blocos e lápis. Encontra obras de arte à volta e alguém da área a atender. Não é uma papelaria — e é isso que o Nuno quer que se sinta:
«Tem que sentir que está perante uma energia diferente e se respira a arte aqui dentro.»
Na loja só entram marcas em que a casa confia, com gamas do iniciante ao profissional — e quem atende sabe explicar a diferença: pigmentação, resistência à luz, cobertura, secagem, o que serve a cada fase e a cada resultado.
Quem cá vem, diz, sente-se em casa. O mesmo cuidado vai em cada encomenda que sai para o resto do país: preparada a pensar em quem a vai abrir e na imagem que já traz na cabeça — não como um simples gasto, mas como algo especial que a vai ajudar a criar.
Linha do Tempo
A casa em datas.
1979
Nasce Nuno Duque
Em Chaves.
Formação
Pintura na ESAP
No Porto. É lá que nasce o nome — e o sonho de juntar um atelier e uma loja de belas-artes.
2005
2 de Abril: abre a Conceito de Arte
Loja, atelier e galeria no mesmo espaço, desde o primeiro dia, onde antes houvera uma loja de móveis.
Anos difíceis
A casa não fecha
Passada a novidade, o movimento cai. A casa muda-se para a loja ao lado; a loja e o atelier continuam, as exposições param.
2020
A casa aprende a enviar
Com a pandemia, os materiais começam a sair por correio, e a Conceito passa a vender a quem não entra por ela.
2025
Desenho com modelo ao vivo
O atelier abre as sessões de desenho com modelo ao vivo.
2026
A loja chega a todo o país
A loja passa a vender online, para todo o país. Vinte e um anos depois, o mesmo ofício com outro alcance.
A crença que fica
«A fé. Nunca desistir dos sonhos.»
«A galeria é a prova de que, quando se acredita e quando se ama o que se faz, o resultado são estes anos de sacrifício — anos em que, apesar das dificuldades, nunca fechou, porque o sonho se manteve sempre activo.»
Do primeiro material à obra com vida, há um artista ao teu lado.
A porta está aberta. Passa por cá, mesmo só para ver.
Uma encomenda, uma dúvida sobre material, as aulas do atelier ou uma obra — conta-nos o que precisas. Respondemos em menos de 24 horas.
Onde ficamos
Av. General Ribeiro de Carvalho, Ed. Barreira, loja 4 — Chaves.
O mapa é do Google: ao mostrá-lo, o Google fica a saber que estiveste aqui.
Por isso só carrega se o pedires.
Conceito de Arte
Av. General Ribeiro de Carvalho, Ed. Barreira, loja 4 5400-497 Chaves
Na loja online: juntas os materiais ao carrinho e finalizas a encomenda. Também podes encomendar pelo formulário de contacto, por WhatsApp ou por telefone — respondemos em menos de 24 horas.
Fazem envios para todo o país?
Sim. Enviamos para todo o território nacional. Os portes são calculados no momento da encomenda e são grátis em encomendas de material a partir de 50 €.
Como me inscrevo nas aulas ou nos workshops?
Na página do Atelier: as sessões de modelo ao vivo e as aulas têm inscrição directa, e nos workshops, que abrem em breve, já podes deixar a tua preferência. Também podes falar connosco por WhatsApp.
Posso visitar a galeria sem marcação?
Sim. Podes visitar durante o horário de funcionamento. Para visitas de grupo ou com o Artista, recomendamos marcação prévia.
Posso comprar uma obra da galeria?
Podes. Fala connosco pelo formulário, por WhatsApp ou por telefone para saberes da disponibilidade, do preço e das condições de entrega das obras originais.
Onde fica a Conceito de Arte?
Na Av. General Ribeiro de Carvalho, Ed. Barreira, loja 4, 5400-497 Chaves. Abrimos de segunda a sexta das 09h00 às 19h00 e ao sábado das 09h00 às 13h00; aos feriados está fechado. Telefone 919 145 417.
Posso expor a minha obra na galeria?
Recebemos propostas de artistas. Envia o teu portefólio e a proposta pelo formulário de contacto — analisamos todas as candidaturas com cuidado.
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Atendemos nos dias úteis, das 9h às 19h, e ao sábado das 9h às 13h.